Ao traçarmos o papel do professor de línguas segundo uma abordagem sócio-histórica, podemos perceber que o trabalho docente foi moldado de acordo com fatores contingentes na sociedade em cada época. Professores como técnicos passivos foram uma necessidade de uma sociedade em plena revolução industrial, ou seja, precisava-se formar mão-de-obra para trabalhar em indústrias em funções que requeriam capacidade técnica, trabalhos mecânicos, repetitivos. Uma vez que nesta sociedade a teoria e a prática se encontravam totalmente separadas, a formação de professores também as separou, fazendo dos professores os implementadores de teorias que eram produzidas na academia, o que era aceito para a época. Em contraposição ao modelo de transmissão de conhecimento, em que os professores são capacitados e treinados para resolução de determinados problemas e para transmitir conhecimento, surge a concepção do professor como praticante reflexivo proposto por Dewey (1933, apud KUMARAVADIVELU, 2003a) que faz a distinção entre a ação rotineira do professor que é a regida por princípios da tradição, e a reflexiva, com base em reflexões e pensamentos intelectuais. Essa proposta de formação de professores ressalta o aspecto da prática como forma de (re)construção de conhecimento por meio da reflexão individualizada e sistematizada, refletindo uma sociedade capitalista que atribui ao indivíduo certa independência e autonomia para refletir, contestar, criticar e não apenas reproduzir e aceitar modelos vigentes. Convém ressaltar que, assim como o modelo anterior que tinha o professor como técnico passivo, este também foi moldado para atender às exigências capitalistas da época. Não era mais suficiente ao professor o papel de reprodutor de teoria, exigia-se ao profissional maior participação a fim de resolver dilemas peculiares a cada contexto.
Chega-se, então, à visão de professores como intelectuais transformadores, que surgiu de trabalhos de um grupo particular de educadores chamados pedagogos críticos. Nessa visão, influenciada pela filosofia de Paulo Freire, os professores são vistos como profissionais que querem e são capazes de refletir sobre os princípios socio-ideológicos que informam sua prática, que conecta a teoria e a prática pedagógica a questões sociais mais amplas e que trabalham juntos para compartilhar ideias, exercitar o poder sobre as condições de trabalho e incorporar em seu ensino uma visão de uma vida melhor e mais humana. Esta nova proposta propicia um "empoderamento", por meio de um processo democrático de educação, no qual cria-se ambiente, em tese, capaz de minimizar as diferenças sociais presentes em sala de aula, uma vez que leva-se em consideração as experiências que professsores e alunos já possuem.O papel do professor, nessas três visões apresentadas,ao longo da história da humanidade variou conforme a necessidade de cada contexto social e época. Na visão de professor como técnico passivo seu papel é o de condutor. Já como praticante reflexivo tem o papel de facilitador e, como intelectual transformador, é visto como um agente tranformador. Este último pode, portanto, atuar de forma mais produtiva na sociedade, pois forma pensadores, profissionais capazes de refletir sobre suas práticas e sobre seu papel na sociedade. Com isso, percebe-se que os objetivos e as orientações de ensino se modificam também. Tivemos um momento em que as atividades eram mecânicas e prescritas, sem relação alguma com o contexto, para outro momento em que as atividades de aprendizagem buscavam a reflexão sobre os problemas, e a partir daí, a resolução de problemas na busca de maior conscientização político-social. Por meio dessa transformação nos papéis dos professores também temos uma mudança na maneira como a formação de professores é orientada, pois em uma visão de professor como técnico passivo, o professor é apenas um aplicador de conteúdos de outros mais experientes ou teóricos; em uma visão de professor como praticante reflexivo, embora ele seja reflexivo com relação às teorias e a sua prática, ainda assim existe a dicotomia entre teoria e prática, porque o professor é um mero consumidor de teorias. A conexão teoria e prática se inicia no momento em que o professor passa a se ver como teorizador de sua prática, como um intelectual transformador, ele se engaja em um contexto social e procura conscientizar-se e conscientizar seus alunos da realidade político-social em que vivem de modo a gerar o já citado "empoderamento" democrático.
Ao traçarmos o papel do professor de línguas segundo uma abordagem sócio-histórica, podemos perceber que o trabalho docente foi moldado de acordo com fatores contingentes na sociedade em cada época. Professores como técnicos passivos foram uma necessidade de uma sociedade em plena revolução industrial, ou seja, precisava-se formar mão-de-obra para trabalhar em indústrias em funções que requeriam capacidade técnica, trabalhos mecânicos, repetitivos. Uma vez que nesta sociedade a teoria e a prática se encontravam totalmente separadas, a formação de professores também as separou, fazendo dos professores os implementadores de teorias que eram produzidas na academia, o que era aceito para a época. Em contraposição ao modelo de transmissão de conhecimento, em que os professores são capacitados e treinados para resolução de determinados problemas e para transmitir conhecimento, surge a concepção do professor como praticante reflexivo proposto por Dewey (1933, apud KUMARAVADIVELU, 2003a) que faz a distinção entre a ação rotineira do professor que é a regida por princípios da tradição, e a reflexiva, com base em reflexões e pensamentos intelectuais. Essa proposta de formação de professores ressalta o aspecto da prática como forma de (re)construção de conhecimento por meio da reflexão individualizada e sistematizada, refletindo uma sociedade capitalista que atribui ao indivíduo certa independência e autonomia para refletir, contestar, criticar e não apenas reproduzir e aceitar modelos vigentes. Convém ressaltar que, assim como o modelo anterior que tinha o professor como técnico passivo, este também foi moldado para atender às exigências capitalistas da época. Não era mais suficiente ao professor o papel de reprodutor de teoria, exigia-se ao profissional maior participação a fim de resolver dilemas peculiares a cada contexto.
Chega-se, então, à visão de professores como intelectuais transformadores, que surgiu de trabalhos de um grupo particular de educadores chamados pedagogos críticos. Nessa visão, influenciada pela filosofia de Paulo Freire, os professores são vistos como profissionais que querem e são capazes de refletir sobre os princípios socio-ideológicos que informam sua prática, que conecta a teoria e a prática pedagógica a questões sociais mais amplas e que trabalham juntos para compartilhar ideias, exercitar o poder sobre as condições de trabalho e incorporar em seu ensino uma visão de uma vida melhor e mais humana. Esta nova proposta propicia um "empoderamento", por meio de um processo democrático de educação, no qual cria-se ambiente, em tese, capaz de minimizar as diferenças sociais presentes em sala de aula, uma vez que leva-se em consideração as experiências que professsores e alunos já possuem. O papel do professor, nessas três visões apresentadas,ao longo da história da humanidade variou conforme a necessidade de cada contexto social e época. Na visão de professor como técnico passivo seu papel é o de condutor. Já como praticante reflexivo tem o papel de facilitador e, como intelectual transformador, é visto como um agente tranformador. Este último pode, portanto, atuar de forma mais produtiva na sociedade, pois forma pensadores, profissionais capazes de refletir sobre suas práticas e sobre seu papel na sociedade. Com isso, percebe-se que os objetivos e as orientações de ensino se modificam também. Tivemos um momento em que as atividades eram mecânicas e prescritas, sem relação alguma com o contexto, para outro momento em que as atividades de aprendizagem buscavam a reflexão sobre os problemas, e a partir daí, a resolução de problemas na busca de maior conscientização político-social. Por meio dessa transformação nos papéis dos professores também temos uma mudança na maneira como a formação de professores é orientada, pois em uma visão de professor como técnico passivo, o professor é apenas um aplicador de conteúdos de outros mais experientes ou teóricos; em uma visão de professor como praticante reflexivo, embora ele seja reflexivo com relação às teorias e a sua prática, ainda assim existe a dicotomia entre teoria e prática, porque o professor é um mero consumidor de teorias. A conexão teoria e prática se inicia no momento em que o professor passa a se ver como teorizador de sua prática, como um intelectual transformador, ele se engaja em um contexto social e procura conscientizar-se e conscientizar seus alunos da realidade político-social em que vivem de modo a gerar o já citado "empoderamento" democrático.